• Rita Cachaço

Abrir o Peito


Se praticas Yoga, “Abrir o Peito”, é uma expressão que certamente já ouviste várias vezes a tua professora ou professor dizer.

Trata-se de imagem que se quer transmitir aos alunos nas posturas de retroflexão, ou seja flexão ou curvatura da coluna para trás. Podem ser posturas em pé, sentadas ou mesmo deitadas desde que exista um movimento em que os ombros rodem para trás e a coluna curve provocando um movimento de expansão da caixa torácica, ou seja de abertura de peito.

E quais as vantagens destas posturas? Primeiro elas contrariam uma tendência generalizada de puxar os ombros para a frente, fechando automaticamente o peito. Sobretudo pessoas que trabalham muitas horas em frente ao computador invariavelmente começam a cristalizar os ombros numa postura “fechada” (ombros para a frente, a famosa “marrecazinha” e o pescoço caído).

A médio prazo esta má postura traz problemas, sendo raras hoje em dia as pessoas que não têm dores no pescoço ou ombros. As retroflexões contrariam esta tendência. Elas obrigam de algum modo a coluna a flexibilizar na sua zona superior (dorsal), permitem que os ombros soltem e criam mais espaço na caixa torácica. Isto leva também a que o tórax e consequentemente os pulmões tenham mais espaço para respirar melhor. Após a execução da postura é evidente e imediata a diferença: conseguimos respirar de forma mais ampla e mais profunda. E isso acreditem, por si só já é um grande ganho pois a maioria da pessoas respira muito mal, muito aquém daquilo que o nosso corpo pode e deve absorver de oxigénio. Portanto todo o nosso tronco ganha espaço, não só no tórax mas em todo o abdómen dando um estímulo e revitalizando os orgãos da cavidade abdominal. Também as retroflexões actuam estimulando as supra-renais (glândulas endócrinas), o que contribui para uma sensação de vitalidade e energia.

Mas não ficamos pelos benefícios físicos, pois somos Seres de vários corpos do mais denso ao mais subtil e todos eles ligados entre si.

As retroflexões, ao abrirem o peito, trabalham o coração (que não se resume a um músculo pulsante), mas ao nosso centro, às nossas emoções e postura perante a vida. O centro de peito é o local do Anahata chakra, o chakra do coração. Não é por acaso que aulas com intensas retroflexões permitam libertações emocionais, trazendo muitas vezes vontade de chorar ou de rir. Estamos a desobstruir canais energéticos e limpar emoções bloqueadas.

A respiração como factor de ajuda na libertação toma aqui um papel essencial.

Como tudo o que surge deste contacto mais próximo com o coração (a todos os seus níveis), as retroflexões podem tornar-se terapêuticas. Elas implicam normalmente um esforço e uma superação de limites que nos trará algo novo e muito positivo. Uma sensação de leveza e abertura ao mundo, para seguir viagem com uma postura mais segura, confiante e amorosa.

Namasté!

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